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terça-feira, 14 de abril de 2015

Arpilleras (Chilenas e Brasileiras) - Retirado da Revista da Cultura

A REVOLUÇÃO SERÁ COSTURADA

Como as arpilleras, movimento iniciado nos anos 1970 por um grupo de bordadeiras chilenas, vieram até o Brasil para se transformar no grito de resistência das mulheres contra a violência

POR: RENATA PENZANI  /  07/04/2015
FOTOS DIVULGAÇÃO
“Lucía, Lucía, a panela está vazia.” Essas palavras, transformadas em estribilho, podiam ser ouvidas em quase todos os protestos contra o governo de Pinochet, no Chile dos anos 1970-1980. Lucía, a mulher do ditador, era invocada por minorias sociais afetadas pela pobreza, fome e violência decorrentes do regime ditatorial. Este é apenas um dos fragmentos de história retratados nas chamadas “arpilleras”, uma técnica de bordado sobre sacos de farinha ou batata que por muitos anos foi as mãos e os braços das mulheres na luta contra a realidade política do Chile. Narrando a história de suas famílias e comunidades com agulhas e retalhos de tecido, as arpilleristas recriaram a tarefa de repensar a sociedade.

Centenas de mulheres chilenas, submetidas a um modelo social que as excluía da linha de frente de qualquer batalha, encontraram no artesanato o único meio possível de clamar por seus direitos. A cantora e compositora chilena Violeta Parra (1917-1967) foi uma das arpilleristas precursoras do movimento. Doente e impossibilitada de cantar, Violeta viu no bordado uma forma de expressar os temas sociais que se tornaram a marca inconfundível de suas composições. Para ela, “as arpilleras são como canções pintadas”. Mais do que meio de expressão ou manifestação popular, esses pequenos pedaços de pano eram a um só tempo escape e possibilidade. Ao se apropriarem da costura, as mulheres chilenas não apenas se desvencilhavam do papel historicamente atribuído a elas, mas também teciam silenciosamente testemunhos contra o regime que oprimia a vida de sua família. Por trás do colorido das linhas e das bonecas que davam um sentido tridimensional às telas, estavam manifestos de dor. “Onde estão nossos familiares?”, “Não à injustiça, não à impunidade” são alguns dos dizeres bordados.

No entanto, saber que mães, esposas e irmãs bordavam a morte dia e noite muitas vezes nas roupas de seus familiares guerrilheiros é saber pouco. O que as motivava a sacar agulhas enquanto seus parentes viravam índice de desaparecidos políticos? A dor da violência, da desigualdade, da pobreza. Dor que existia lá em Isla Negra e existe hoje por toda parte. Por isso é que não demorou para que essa ferramenta de expressão chegasse também ao Brasil.



SOBRE DIREITOS HUMANOS
Edizângela Alves de Barros tem 30 anos e mora com a família em Altamira – pequena cidade da região amazônica no centro do Pará – em um reassentamento onde vivem outras 280 famílias, cada qual com, em média, quatro pessoas. O lugar onde ela vivia antes será demolido e alagado para a construção de barragens da usina hidrelétrica de Belo Monte, apenas uma entre as duas mil barragens já construídas no Brasil. Somando as 14 microrregiões em que elas se instalaram, um milhão de pessoas já foi expulsa de suas casas. Nas arpilleras de Edizângela, é esse cenário que aparece estampado em fios e tecidos coloridos: o não pertencimento à terra imposta, a perda dos vínculos com a comunidade, o sentimento de abandono dos órgãos públicos.

Edizângela tem cinco filhos, cuja educação depende quase integralmente dela. Até 2012, quando bordou a sua primeira arpillera, educação para ela não tinha nada a ver com consciência social, muito menos com costura. Quando a pedem para definir o que é uma arpillera, ela faz questão de afirmar, certeira, que não é artesanato, não é um produto. “É um ato político. Um estudo aprofundado sobre direitos humanos”, diz, de boca cheia.

Como qualquer manifestação popular, essas arpilleras podem até contribuir para o sustento econômico de quem faz, mas não nascem com o objetivo de obter lucro e nem de compor uma nova forma de arte. Ao contrário, vão sempre na contramão do sistema que denunciam. Surgem de poucos recursos e são pautadas pela coletividade e pelo desejo de preservação da memória. “Construímos arpilleras não para ter sustento econômico, mas sim para ter na mão uma ferramenta, um jeito de se libertar de um sistema que é muito opressor contra as mulheres.”

Edizângela é conselheira tutelar de Altamira; desde que conheceu as arpilleras, expandiu a sua noção de coletivo e ajuda outras mulheres na luta contra um cotidiano de opressão. Como toda cidade que recebe obras de barragem, Altamira sofreu um grande inchaço populacional com a chegada dos mais de 25 mil operários de Belo Monte. Ela conta que, aos finais de semana, quando os trabalhadores das usinas estão ociosos e espalhados pelos bares do município, as mulheres têm mais medo de sair na rua. “Vem homem de todos os lugares para trabalhar na obra, é muito comum uma mulher conhecer alguém assim, começar um relacionamento, e trazer pra dentro de casa sem conhecer direito, e aí acabam acontecendo esses episódios de violência. Sei de vários casos de assassinatos aqui na região que começaram dessa forma”, conta. Situações como essa são costumeiras em locais de construção de barragens. Uma pesquisa da Plataforma Dhesca, Porto Velho, por exemplo, que abriga a hidrelétrica de Santo Antônio, registrou um aumento geral nos índices de violência após o início das obras. Entre 2008 e 2010, o número de homicídios dolosos cresceu 44%, e o índice de estupros chegou a crescer 208% em três anos.

Em dois anos, a população de Altamira passou de 100 para 140 mil, um contexto que multiplica não só o número de homens, mas também a quantidade de casas de prostituição, os índices de precariedade social e a carestia, transformando a cidade em um ambiente hostil. “A gente se sente muito pequena nesse mundo de patriarcado. A arpillera tem ajudado muito nesse processo”, garante Edizângela.

Depoimentos como o dela tecem discretamente o fio que une o movimento das arpilleras à construção da identidade. Conhecendo seus direitos e ocupando o seu lugar na luta pelas injustiças sociais, arpilleristas do Brasil inteiro denunciam um submundo de violações que tem sido ignorado pela sociedade, uma narrativa que está prestes a ser contada em filme. O documentário 
Arpilleras bordando a resistência, idealizado pelo coletivo de comunicação do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), está em fase de captação de recursos no Catarse, e será produzido a partir de depoimentos de cinco personagens de todas as regiões do país.

A jornalista Adriane Canan, diretora do filme, explica que a ideia é criar uma grande e coletiva arpillera, que comece com a primeira entrevistada e percorra o Brasil de norte a sul, até formar um trabalho que dê conta de narrar o impacto da construção das barragens por meio da percepção direta das mulheres atingidas. “A proposta é mostrar como essas mulheres, apesar da invisibilidade imposta também pelas questões de gênero, sempre foram imprescindíveis e vêm fortalecendo seu papel na luta contra o atual modelo energético excludente”, explica Adriane, especializada em roteiro pela Escuela de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, de Cuba.

Atualmente, as arpilleras brasileiras são produzidas por mulheres que vivem em locais como Belo Monte, onde se instala um cenário de intensa vulnerabilidade. O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) confirma que há nessas regiões um padrão de violação de 16 direitos humanos – entre eles, direito à moradia adequada, à plena reparação das perdas e a um ambiente saudável –, todos decorrentes do planejamento, da construção e da operação das barragens. A diretora explica que o filme quer mostrar todo esse cenário de impacto social a partir do olhar feminino. Se o valor for arrecadado, a produção começa no segundo semestre deste ano.

NO BRASILAs arpilleras chegaram ao Brasil em 2013, por meio da exposição 
Arpilleras da resistência política chilena, que ficou em cartaz no Memorial da Resistência, em São Paulo, de julho a outubro daquele ano. A pesquisadora chilena Roberta Bacic, curadora da mostra, percorreu vários países da Europa, Ásia, América e África divulgando o trabalho das arpilleristas, e conta que as mulheres reagiam com entusiasmo e surpresa por essa nova ferramenta de comunicação. “É especialmente significativo como as mulheres aprenderam a se olhar introspectivamente como mulheres, como parte de um grupo.” Para ela, quando uma mulher borda as violações pelas quais passa diariamente, ela assume a responsabilidade social de participação. “É muito forte sentir-se convidada a reagir”, conclui Roberta.

A partir da exposição, o trajeto das arpilleras no país continuou pelas mãos de Esther Vital, membro do coletivo de mulheres do MAB, com apoio e financiamento da União Europeia. Durante a “pesquisa-ação participante”, foram levadas às cinco regiões do país oficinas de capacitação e documentação têxtil para centenas de mulheres atingidas.

Em comum com suas antecessoras chilenas, a vontade de gritar para o resto do mundo o que se passa em seu dia a dia. “A linguagem das arpilleras permite mais facilmente às mulheres se abrirem e falarem sobre a problemática que enfrentam, e, ao mesmo tempo, é um veículo de comunicação para chegar à sociedade civil. Em parceria com as ONGs austríacas H3000, DKA e FeiSo Frei, apresentamos o projeto à União Europeia, e assim conseguimos as condições materiais para realizar oficinas de arpilleras e coletar o testemunho de quase 900 mulheres”, relembra Esther, idealizadora das oficinas, que diz ter em toda arpillera um “movimento rítmico”. “É como uma ciranda. No ato de costurar tem algo que se repete como um mantra, que de alguma forma liberta e acolhe. Por outro lado, a costura é algo familiar, cria um espaço de segurança.”

O colorido sugere que estamos diante de uma obra de arte, mas por trás da leveza estética, estão denúncias graves. Estupro, agressão doméstica, pedofilia, cárcere privado, indução à prostituição. Para uma arpillerista, tudo isso é uma espécie de alarme histórico, um indício de esgotamento. A partir daí, elas se apropriam das ferramentas que têm à mão para mostrar à sociedade que poder não é comando ou controle, mas sim protagonismo. Para Roberta, essa protagonista nada mais é do que a possibilidade de expressão. “Elas se empoderam para falar de sua realidade, dos problemas que as afligem, fazem isso por meio de um testemunho costurado, muitas vezes inspiradas pelo que outras mulheres em outras latitudes do mundo puderam também testemunhar. Vão deixar tudo isso como legado de memória”, resume.

Foi José Saramago quem disse que “fisicamente, habitamos um espaço, mas sentimentalmente, somos habitados por uma memória”. Quando se fala em arpilleras, esses dizeres ganham substância feminina. Historicamente, há um modelo de sociedade pensado para convencê-las de que o poder é este que aparece nos jornais e faz girar a engrenagem da economia e do lucro, mas há em toda arpillera um desejo pulsante de provar o contrário. Para as mulheres arpilleristas, o verdadeiro poder está em algum lugar entre memória e identidade, e é tecido em pontos pequenos, todos os dias com potencial renovado de se tornar conhecimento, democracia e voz.

sábado, 11 de abril de 2015

Bordados Poéticos - V Concurso!

Bom dia!

Estão abertas as inscrições para o V Concurso de Bordados Poéticos - Paraty!

Cliquem no link acima e verifiquem os detalhes.


Margaret Mee


O tema este ano são as obras da Margaret Mee. Será muito interessante bordar uma de suas obras.

Vão até lá e depois me contem.

Bom fim de semana!

by Popola

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Pontos de Encantar

No fim do mês de julho parti para mais uma aventura de bordado.
Fui participar do projeto "Pontos de Encantar", com a Jaci, do ateliê Bordados, etc e tal, e cia.


"Um projeto inovador com a participação de três profissionais e um produto final de primeira grandeza: um livro de tecido bordado por vocês, com pontos e fios de sua história."




Então, confirmei minha presença e parti para São Paulo, para conhecer a Jaci, a Cláudia Cascarelli e a Silvana Marçal.




Na sexta de manhã fomos recebidas pela Jaci e pela Cláudia.

Cada uma de nós tinha escrito algumas linhas (máximo 6) para que a Cláudia pudesse fazer três desenhos que representassem nossas histórias.
Não conseguiria descrever aqui a emoção ao receber nossos envelopes, personalizados, e contendo nossos três desenhos.


E assim começamos nossa aventura!


Riscamos, escolhemos nossas linhas e, sob a supervisão e ensinamentos da Jaci, colocamos mãos à obra!




Eu me apaixonei por minha fênix..... tanto que não a larguei um só minuto!



Aquela noite lembro de ter experimentado uma sensação que não é algo comum: paz, tranquilidade, relaxamento. E dormi e me preparei para o segundo e, infelizmente, último dia do encontro.

No sábado bordamos mais um pouco, aprendemos outros pontos, fizemos algumas atividades, sempre sob a supervisão de nossa querida Jaci, e depois do almoço começamos a atividade com a Silvana.

Aprendemos como transformar nossos bordados em um maravilhoso caderno! De tecido. Isso mesmo!


Mesmo estando praticamente concluído, como poderão ver nas próximas fotos, tivemos a possibilidade de terminar nossos bordados em casa, com calma.

Um dos meus desenhos feito pela Cláudia, representa a Thora.


Quem a conhece de perto poderá conferir a semelhança com a Tatiana Maria, filhota da Jaci!


Esse será o último dos três bordados.
Acho que será o mais difícil.... 


Conheci pessoas incríveis, profissionais maravilhosos, vi trabalhos (reparem nas paredes...) de bordado livre, que nunca imaginei encontrar ali.



Dois dias intensos, e que deixaram uma marca em mim.
E depois de voltar, arregacei as mangas, deixei um pouco a internet de lado, e.... vamos bordar!

Aqui vocês poderão conferir o andamento dos trabalhos.
Começou assim....


E foi evoluindo...


Jaci, o miolo do girassol como você sugeriu!
E ficou realmente muito bom.


As bocas, as margaridas... a bandeira italiana começando a aparecer...


E agora as bandeiras estão quase prontas, e meu italiano já tem cabelos!


Obrigada por ter parado para conhecer a história do meu caderno.
Do meu caderno especial.
Do caderno da minha história.

Obrigada meninas todas.
Obrigada Jaci, Cláudia e Silvana.

by Popola




terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Bordado - Ponto Caterina De Medici

A querida Silvana nos ensina mais um ponto novo, além de dar um gráfico grátis, e ensinar como fazer ângulos nos trabalhos!!!

Quer ver? Clique AQUI!



Boa noite!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Bordado - Sfilature

Já falei aqui outras vezes sobre o trabalho da Silvana, mas nunca é demais.
Vejam o passo a passo que ela nos dá aqui



Ela te dá o passo a passo dos pontos utilizados: ponto smerlo e spirito.

"Se" um dia esse calor infernal do Rio de Janeiro acabar... pode ser que eu volte ao bordado.
Por enquanto... só ventilador e internet.

Bom domingo!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Blackwork

Você gosta? Então não pode deixar de visitar o site http://www.blackworkarchives.com/

Eu acho um dos bordados mais fáceis, e também por isso, fáceis de se complicar... mas de um efeito maravilhoso.

Vá lá visitar, e não se arrependerá!

Boa noite.

domingo, 24 de junho de 2012

Mini Sal Misterioso - 2ª e última parte



Manka querida, amei participar deste sal.
Ainda estou pensando para decidir aonde aplicar este motivo lindo, que amei fazer.
É simples, é rápido, é elegante.

Muito obrigada mesmo!

Popola

sábado, 21 de abril de 2012

Bordado Italiano

Jeanine, do Canadá, tem um blog absolutamente espetacular, sobre bordado italiano.
Visite o http://italian-needlework.blogspot.com.br/
Depois me diga se gostou.
Sei que a Filó adorará!

Bye

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Site interessante

Passeando na net, encontrei o Le Grenier de Charlotte.
Se você compreende a língua francesa vai adorar conhecer um pouco da história do bordado, e suas aplicações.

Vou fazer uma pequena tradução resumo da ...

História do Monograma

Na Europa do século 19, e até fins dos anos 50, saber bordar era sinal de boa educação.
Para os pobres, uma fonte de renda, e para os aristocratas, sinal de delicadeza e requinte.

Longe das condições de higiene atuais, quando temos a possibilidade de tomar banho todos os dias, no século 19, trocar de roupas a cada 8 dias era considerado frequente! E as roupas eram lavadas duas vezes por ano!
Se pensarmos nas dificuldades causadas, no inverno, nos dias de hoje, imaginem naquela época....
Imaginem então as montanhas de roupas!
Foi assim que começaram com os monogramas! Para identificar as roupas de cada um.
E tinham também os números (eu não sabia....) bordados junto às iniciais do nome. Serviam para identificar o jogo de roupa (saia de baixo, com saia de cima, blusa, etc, etc).
Interessante não é?
Se alguém se interessar pelo texto na íntegra, e não entender o idioma, me avise, e terei prazer em fazer uma tradução.

Boa leitura!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Hal VillaSol - Objetivo II


Nada como ter o trajeto de ida e volta do trabalho para bordar!
Aqui está a segunda parte do Hal VillaSol da Mamen.
Gracias amiga, por este belissimo regalo.

Estou a-do-ran-do bordar hardanger.

Boa noite!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Hal VillaSol - Mamen Objetivo 1

Finalmente acabei o primeiro objetivo.
E justamente hoje, a Mamen enviou-me o terceiro!
Estou me sentindo o próprio coelho da Alice, do País das Maravilhas..."tô atrasada!"



Mas me digam... não está ficando uma belezura?


Eu estou amando bordar hardanger de novo!


E... "dá licença que tô atrasada!" kkk

Boa noite queridos.

Boa noite e obrigada, Mamen querida.

Popola

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Reticello

Pois então, além de um trabalho belíssimo, o curso de Reticello, da minha querida Lee, da Escola de Bordado, é uma ótima terapia.
Estou exercitando a paciência, de só poder fazer um pouquinho a cada dia, e não ficar ansiosa, como normalmente acontece, quando fico tempo demais para fazer um trabalho.
Está sendo realmente uma "degustação" de cada ponto, de cada etapa, que, para mim, que não tinha bordado absolutamente nada de bordados "desfiados", e principalmente longe da "mestra".
Mas vamos lá!
Eu sei... deveria ter passado o trabalho, esperado a luz do dia, etc, etc. Mas aí já seria pedir demais da Popola.
E olhem só quem estava me acompanhando em mais esta vitória: Thora. Não está uma tetéia? 



Aqui eu não usei o flash.
A-do-ro esse efeito.


Vamos dar mais uma olhada.


Do primeiro vazado ao último, posso notar a diferença das laçadas. Como estou evoluindo, e como ainda tenho o que crescer.
Lee, mais uma vez, muitíssimo obrigada por me deixar participar desta aventura.

Ah, não tinha prestado atenção, então não escolhi um tom que sobressaísse bem. Agora, para as flores, vou "escurecer" um pouco o fio.

Boa noite para todos, e bom carnaval!

Popola

domingo, 29 de janeiro de 2012

Férias Mágicas - Parte II

A segunda surpresa agradabilíssima das férias foi conhecer a cidade de Offida.
Offida é a cidade oficial do "Merletto a Tombolo", ou "Renda de Bilros".
Além de ser reconhecida como um dos borgos mais belos da Itália.


Logo na entrada da cidade temos uma homenagem às rendeiras, com três estátuas, que representam três gerações.


Tudo na cidade gira em torno da renda.
Você encontra até uma cooperativa das artesãs da renda, a CO.AR.ME.


Foi lá que eu consegui comprar uma borboleta, feita pelas mãos dessas senhoras maravilhosas, com um preço mais em conta.... Lá eles realmente valorizam o artesanato (12 euros uma borboleta de 4cm,mas que leva 2 h de trabalho!).


 Reparem que na parede, logo atrás delas, tem uma imagem de N.Sra, também feita à mão.
Elas trabalham com as almofadas apoiadas em uma peça, que mais parece um pedaço de barril, super prático.
A almofada também lembra muito o bilro feito aqui no Brasil.



Conforme caminhávamos pelas ruas estreitas, pude reparar que todas as casas eram enfeitadas com algum bordado, ou renda.
Reparem nessa janela da foto acima. Além do bordado da cortina, vejam só o trabalho de ferro da grade.... pura arte!


Acredite se quiser, mas a foto acima é de uma joalheria... especializada em rendas feitas com fios de ouro, prata, entremeadas com pedras semi e preciosas.
Se clicar na foto, poderá ver com mais detalhes.


Olha que graça a placa, em cerâmica, com um bordado pintado em volta, com o nome "Rua da Renda".
Puro charme não é?
Abaixo vou deixar uma sequência de fotos dos vários trabalhos feitos.





Em algumas lojas, as rendas ficam expostas do lado de fora, dentro de expositores como esse abaixo:



Aproveitamos, já que existia um, e visitamos o museu da renda.

"Girar e cruzar são os movimentos feitos com os bilros, e sempre em dupla: com esses movimentos, as vezes rápidos demais para serem "interpretados", que nascem os vários pontos.
Os pontos encontrados nas rendas de bilro de Offida, são geralmente quatro:
Pontos nastrino, antigo, veneza e rosalin.


 Depois, ao lado de cada ponto, vinha a explicação de como o ponto é feito.


Repare que a almofada, que serve de base para que o cartão, aonde o desenho da futura renda é desenhada, neste caso é retangular, e não oval.


Naomi Campbel desfilou (não sei pra quem...), com a saída de praia abaixo, toda feita em renda de bilro.
Reparem os bilros, que ficaram pendurados como ornamento.
Eles são de marfim, e foram trazidos especialmente para a confecção desta peça, pois os bilros de Offida, são feitos de madeira de oliva.


 Ah, não poderia deixar de mostrar a foto abaixo!
Logo na entrada do museu, temos uma lindíssima mesa, com uma renda de Offida, e o quadro enorme, com a foto das "merlettaie" trabalhando.


Outra curiosidade é o teto do prédio.
Vejam que lindas as pinturas.



Na saída do museu, reparei que a mesma senhora que nos acolheu, também trabalhava o merletto, enquanto os visitantes exploravam o museu.


Não satisfeita com um projeto, a danada estava trabalhando com um, já pensando em outro!!


E eu não poderia deixar de tirar uma lasquinha né?



Fim da segunda parte!
Semana que vem tem mais.

Boa semana para todos.

Popola